sábado, 3 de outubro de 2015

O SINAL DA LEOPOLDINA



Um tempo atrás passei pelo sinal da leopoldina. Pra quem não sabe, esse sinal é muito conhecido na cidade do Rio de Janeiro por estar numa região central e por quase sempre contar com um ou mais pedintes. Pedintes não, eles "limpam" os vidros do seu carro por algumas moedas. Você querendo ou não eles espirram algum produto no vidro dos carros (penso eu que é pra pessoa ficar constrangida e liberar as moedas).

Eu particularmente não me sinto bem em abrir meu vidro e mexer com minha carteira na rua com um desconhecido ao lado olhando. Se você acha interessante, sem problemas. Maaasss, se eu to com algumas moedinhas de imediato no carro e vejo que o trânsito vai demorar a andar, eu dou essa moral pro trabalhador. Não é nem por causa da limpeza dos vidros (acredito que até fica um pouco sujo), mas é porque eu aprendi que devo sempre que possível fazer o bem, não me apegar ao dinheiro e, vou além, não julgar sobre o que o cara vai fazer com o dinheiro. Não sou eu quem vai julgar. Sempre há situações diferentes. Uso o bom-senso.

Porém, não vim pra falar desse sinal, vim pra falar do SINAL. O dia do Sinal. O Sinal da intolerância, o Sinal da violência, o Sinal de um mundo que está cada vez mais caindo no maligno. Olhando pelo espelho do ônibus da linha 323, assisti à face da ignorância. Vou descrever o que vi e o que as pessoas viram no ônibus, sem mais nem menos:

Um motorista começou a jogar o seu carro cinza numa dessas PESSOAS. Parece que ele não quis dar o dinheiro pro pedinte. e o pedinte começou a xingar o motorista e sair de perto, sem pretensões de machucar ninguém. Parecia que ele estava bêbado, seus companheiros olhavam de longe a cena. Vendo que a situação estava ficando tensa (sim, o sinal demora a abrir, bastante) um outro trabalhador parou o que estava fazendo riu da situação pra quebrar o gelo e disse ao motorista: "não liga não, está loucão"... Mesmo assim, saíram 4 pessoas desse carro na mesma hora e o motorista deu um soco MUITO forte na cara do bêbado, este caiu no chão e ficou agonizando. Os outros, assustados não se meteram, os bombeiros que estava logo atrás do ocorrido, não se meteram. Houve gritaria, algumas buzinas. Poucas. Passou-se o tempo, abriu-se o Sinal, e pra mim ele nunca mais fechou.

Qual o ponto? Onde quero chegar? Importa os detalhes dessa história pra mim? NÃO. Pra mim, importa o que de fato ocorreu. O Sinal. O Sinal de que 4 homens partiram pra cima do homem indefeso, bêbado, magro, velho. O Sinal da falta de respeito, da falta de compaixão, paciência.

"O cara merecia!" Se você pensa isso, por favor, repense no que está falando e no que está construindo na sua vida.

Ninguém merece violência, ninguém merece ser mal tratado, por mais ruim que seja. As pessoas precisam de correção, de JUSTIÇA. Não praticada com as próprias mãos, não praticada com as próprias mãos, NÃO praticada com as próprias mãos.

Acontecem vários desses Sinais não só no Rio de Janeiro, mas no mundo inteiro. Sua vida vai te dar muitos Sinais... A pergunta é: Você vai captar o Sinal?

E o Sinal ficou.



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