Como muitos devem saber, já fui atleta de natação. Dediquei-me ao
esporte durante 5 anos de minha vida, graças a Deus. Eu era conhecido como o
"portuga", o menino velocista que surgiu do nada em um clube que não
tem tradição NENHUMA na natação: A Portuguesa da Ilha.
No meu primeiro ano como atleta, lembro-me muito bem de um
professor de lá (Não era meu)... Chama-se Alex, ele era super legal comigo! Me
dava maior suporte e força. Eu tinha 12 anos, hoje tenho 20... Oito anos se
passaram e acho que nunca mais vi o Alex. Até hoje.
Estava eu na fila da compra dos ingressos, sou do clube da pipoca
do cinesystem então não pego quase nenhuma fila (aliás, não entendo porque as
pessoas não fazem parte disso, é tão proveitoso, enfim), e então avistei Alex.
Ele estava logo do meu lado. Lembrei-me logo do seu rosto, estava mais cheinho,
mas nada demais, força do tempo apenas. Seu rosto estava o mesmo. Fiquei feliz
em revê-lo.
Só que aí eu pensei: "Ele não deve ter me reconhecido e
estamos aqui na fila pra pagar, não quero fazer a social agora pra não
atrapalhar tudo... Ele parece sério... Vou pagar e depois falo com ele".
Aí ele pagou e foi andando, e pensei comigo mesmo: "Falo com ele na fila
pra entrar no cine", e continuei todo focado em saber meus pontos e promoções
do clube e tirar dúvidas e etc..
E foi-se andando o Alex. Grande amigo de infância! Revê-lo depois
de 8 anos de tanta correria, mudança de clubes, mudanças de moradias, foco nos
estudos, faculdade, família, prioridades... Lá foi andando o Alex. Lembro que
chamava-o de Álex e só por fazer isso já achava que estava fazendo uma zuação
maneira... ahhaha! Criança.
E quando me dei conta, ele tinha sumido.
Por quê não deixei meus pensamentos e interesses de lado e fui cumprimentá-lo? Vergonha? Insegurança? Ser julgado por outrem? Ter julgado a situação mal? Acho que foi um misto disso tudo... Rodei o lugar inteiro procurando-o. Estava com um filão enoooorme pra entrar no cinema. Não o encontrei. E talvez eu nunca mais o reencontre.
Sabe, na vida você vai encontrar muitas situações loucas como essa. Vai pensar um monte de coisas, mas me faz um favor: Não se limite! Pense no pior que pode acontecer e suas consequências! No caso, foi ele sumir. E não deu outra! Eu não pensei nisso... Pra mim, estava tudo sob controle, porém NÃO estamos no controle. De nada.
Tenho aprendido a cada dia que preciso ser como criança. Sim! Como criança.
Uma criança é vulnerável. Não importa o que aconteça, ela sempre vai deixar bem claro suas impressões sobre o ocorrido. Se quer comer, ela chora ou pede. Se quer fazer cocô, ela faz, ou pede. Se quer dormir, ela dorme, ou chora ou pede. Se quer ficar com a mãe, ela pede, fica, chora, grita, enfim, deu pra entender né? hahah Deixo você imaginar as inúmeras possibilidades. Uma criança, com toda certeza, é vulnerável de coração.
Na situação de hoje não fui nada vulnerável. Me achei seguro de mim, ignorando tamanho reconhecimento pelo profissional incrível que fez parte da minha vida. Se tivesse tido uma atitude de criança eu iria pular nele, abraçar, perguntar tudo de uma só vez, tirar foto, apresentar pro meu irmão, ficar radiante,
E quem se importa com a dinâmica do pagamento?? Isso não importa, assim como diversas outras coisas que colocamos em um nível elevado na nossa vida que não é NADA comparado a outras de muito maior grau de prioridade e importância!
Caro leitor, não faça como eu fiz... Seja como criança! Você pode começar hoje! FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!
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